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Quais são os três tipos de TNA?


Diagnosticar antes de prescrever treinamento

A man sitting in front of a laptop computer

Introdução


Imagine entrar em um consultório médico e, antes mesmo de você se sentar ou explicar seus sintomas, o médico lhe entrega uma receita e diz: "Tome dois destes e me ligue na próxima semana". Você provavelmente sairia dali na hora.


No entanto, no setor de aprendizagem e desenvolvimento (L&D) corporativo, isso acontece constantemente. Quando uma organização enfrenta uma queda de desempenho, a liderança frequentemente se apressa para encomendar um novo programa de treinamento chamativo sem diagnosticar o problema subjacente. O resultado? Orçamento desperdiçado, funcionários desengajados e nenhuma mudança comportamental.


Para evitar essa armadilha, designers instrucionais estratégicos contam com uma Análise de Necessidades de Treinamento (TNA, em inglês). Conceituada pela primeira vez em um estudo fundamental por William McGhee e Paul Thayer (1961), uma TNA adequada é a ferramenta de diagnóstico que garante que o treinamento resolva problemas reais de negócios. Para ser eficaz, uma TNA deve ser realizada em três níveis distintos: Análise Organizacional, Análise Operacional (de Tarefas) e Análise Individual (de Pessoas) (Goldstein and Ford, 2002).


Compreender esses três tipos de TNA permite que as organizações analisem desde a estratégia de negócios de alto nível até as lacunas de habilidades específicas de um único funcionário.


O Porquê e o Onde. Análise Organizacional.


A análise organizacional observa o panorama geral. Ela trata a empresa como um ecossistema holístico e pergunta: Onde o treinamento é necessário dentro da organização e sob quais condições ele terá sucesso? Durante esta fase, os profissionais de L&D alinham as iniciativas de treinamento com as metas estratégicas corporativas, avaliam a prontidão cultural da força de trabalho e determinam os recursos disponíveis, como orçamento, tecnologia e tempo (Noe, 2020). Se uma organização não possui a infraestrutura tecnológica para apoiar o aprendizado digital, ou se a liderança executiva não apoia visivelmente a iniciativa, até mesmo o programa de treinamento mais bem desenhado falhará em decolar (Gould-Williams, 2014).


O Quê. Análise Operacional.


Uma vez que você saiba onde a organização precisa de suporte, você deve determinar o quê o treinamento deve realmente cobrir. A análise operacional concentra-se no cargo em si, e não na pessoa que o ocupa atualmente.

Este tipo de TNA decompõe sistematicamente um trabalho específico em suas tarefas componentes, estabelecendo o conhecimento, as habilidades, as capacidades e outras características (KSAOs) exatas necessárias para executar essas tarefas em um nível ideal (Arthur Jr et al., 2003).

A análise operacional evita o "aumento do escopo" no design instrucional. Ao mapear exatamente o que um funcionário de alto desempenho precisa saber para realizar uma tarefa, você isola os conceitos centrais, tornando significativamente mais fácil projetar ativos de microaprendizagem otimizados e de alto impacto posteriormente.


O Quem. Análise Individual.


A peça final do quebra-cabeça diagnóstico muda o foco para os seres humanos reais que fazem o trabalho. A análise individual pergunta: Quem especificamente precisa do treinamento e o que exatamente eles precisam aprender?

Esta fase avalia o desempenho atual dos funcionários em relação aos padrões de referência estabelecidos na fase de análise operacional. Ela revela se as deficiências de desempenho são realmente causadas por falta de conhecimento (o que o treinamento pode corrigir) ou por fatores externos como falta de motivação, ferramentas defeituosas ou gestão tóxica (o que o treinamento não pode corrigir).

O treinamento só pode resolver um problema se a causa raiz for uma deficiência em conhecimento ou habilidade. Se um funcionário sabe como fazer uma tarefa, mas não tem a motivação ou o software adequado para executá-la, um curso de treinamento é perda de tempo (Mager and Pipe, 1997).


Por que a TNA de três níveis é fundamental para a microaprendizagem.


Conduzir uma TNA abrangente é extremamente vital ao projetar um ecossistema de microaprendizagem. Como a microaprendizagem depende de blocos de informação curtos e hiperfocados, não há absolutamente nenhum espaço para conteúdo irrelevante.

Sem uma análise organizacional, você corre o risco de criar módulos de microaprendizagem que os funcionários não têm tempo ou acesso tecnológico para usar. Sem análises operacionais e individuais, você corre o risco de fragmentar as informações erradas ou ensinar habilidades que sua força de trabalho já domina.

Ao filtrar seus desafios corporativos através das três lentes da TNA — Organizacional, Operacional e Individual — você garante que cada microaula oferecida seja oportuna, relevante e matematicamente direcionada para gerar o máximo impacto nos negócios.


Referências


Arthur Jr, W., Bennett Jr, W., Edens, P.S. and Bell, S.T. (2003) 'Effectiveness of training in organizations: A meta-analysis of design and evaluation features', Journal of Applied Psychology, 88(2), pp. 234–245.

Goldstein, I.L. and Ford, J.K. (2002) Training in Organizations: Needs Assessment, Development, and Evaluation. 4th edn. Belmont, CA: Wadsworth.

Gould-Williams, J.S. (2014) 'HRM-performance research in the public sector: Assessing progress, building theoretical links, and identifying future avenues', Public Administration, 92(1), pp. 1–16.

Mager, R.F. and Pipe, P. (1997) Analyzing Performance Problems, or, You Really Oughta Wanna. 3rd edn. Atlanta: Center for Effective Performance.

McGhee, W. and Thayer, P.W. (1961) Training in Business and Industry. New York: John Wiley and Sons.

Noe, R.A. (2020) Employee Training and Development. 8th edn. New York: McGraw-Hill Education.